sábado, 30 de agosto de 2008

Sou esquisita? Parte II

trechos e foto extraidos do site da revista Época

"Começamos a morrer no exato instante em que começamos a viver. E hoje estamos mais mortos do que estávamos ontem. Mas, atualmente, mais que em qualquer outro período histórico, vivemos a morte como uma experiência marginal. Ela se passa, de preferência, oculta dentro do hospital. Nossa dor, quando perdemos alguém, deve ser superada rapidamente, de forma asséptica como um procedimento cirúrgico, sem barulho e sem perturbar os amigos.

Tornou-se deselegante sofrer em público. Com a desculpa – fornecida pelos outros – de que precisamos de solidão para lidar com a perda, nosso telefone pára de tocar. Se sofremos além do período socialmente aceitável, tornamo-nos um caso patológico. Os amigos nos dão o telefone de um psiquiatra: o que nos falta não é um ombro humano, mas antidepressivo. Se morrer é inevitável, o melhor a fazer é evitar qualquer um que nos obrigue a pensar no assunto. “De algum secreto lugar me vem a força para erguer a xícara, acender o cigarro, até sorrir quando alguém me diz: ‘Você hoje está com a cara ótima’, quando penso se não doeria menos jogar-me de um décimo primeiro andar”, escreveu Lya Luft sobre o luto pelo seu segundo marido, o psicanalista Helio Pellegrino. "
A reportagem da edição nº 535, da revista Época- A Enfermaria entre a vida e a morte - da reporter Eliane Brum com fotos de Marcelo Min, merece uma leitura pra quem quer entender o que é viver e morrer.
Desde que tive minha primeira crise de depressão, passei a pensar na morte. Desculpem, sei que não é um assunto agradável, mas quem já passou pela experiência depressiva sabe o porque desses pensamentos.
Os trechos acima me tocaram porque as pessoas não entendem que nos momentos de dor, a gente não quer ficar sozinho - quer é companhia. Mas poucos estão preparados pra enfrentar a árdua tarefa de ver o lado mais sombrio da alma.
Penso muito em um dia, quando conseguir administrar melhor meu tempo, dedicar uma parte dele a cuidar de pessoas como as da reportagem. Além dos gatos - que são meu porto seguro - eu sei que preciso ajudar mais.
Com certeza não será uma tarefa fácil, mas eu sou mesma esquisita, e não podia querer algo normal.

4 comentários:

Felina disse...

a verdade é que não sabemos como lidar com a dor dos outros, oq falar ou quando não falar, ai fugimos, quando é justamente nesta hora que deveríamos dar nossa maior prova de amizade.

Nana disse...

Sei muito bem o que vc quer dizer !!!
Ninguém sabe mais como lidar com a dor, com o sofrimento com o fracasso ou com a morte.
Só o que é belo, bom é o que interessa.
Sou psicóloga e trabalho a 18 anos tentando amenizar o sofrimento das pessoas e cada vez mais percebo que uma das grandes causadoras dos maiores problemas emocionais é a solidão.
Por isso é que amo gatos, com eles a gente nunca se sente só...

Bjs e boa semana !!!

Cláudia disse...

Eu não sou boa com palavras, mas posso dar um abraço bem apertado e é isso que eu faço....
bjos e ótima semana

Silvia disse...

somos todos iguais na dor, né? todos sentimos dor... mas ninguém quer ser igual! todos querem provar ser melhor que o outro, ser mais forte, enfim... penso que esta cultura do "eu" muito forte, do "você é o melhor" prejudica muito quem precisa de verdade de carinho... e todos precisamos! falei besteira? ;)
Bjão!